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A defesa pertence às tecnologias autônomas — e à XPONENTIAL Europe
A decisão de abordar a defesa como área de aplicação na XPONENTIAL Europe recebeu amplo apoio da indústria de tecnologias autônomas e não tripuladas. Ao mesmo tempo, surgiu um debate público sobre se e como a defesa deve estar presente na feira
Por Wolfram N. Diener, presidente e CEO da Messe Düsseldorf
Há apenas um ano, enfrentávamos uma decisão crucial: abrir a XPONENTIAL Europe para a área de aplicação de defesa — movimento aprovado por ampla maioria pelo Conselho de Supervisão. Na época, isso ainda era, em grande parte, teórico, já que a edição inaugural de 2025, principal feira europeia de sistemas autônomos e não tripulados, concentrou-se em aplicações civis. A defesa não fez parte oficial do evento, nem esteve refletida em sua estrutura ou programação. No artigo “Por que precisamos falar de defesa de forma diferente”, apresentei nossas razões naquele momento. Desde então, trabalhamos intensamente com nossos parceiros no desenvolvimento da feira.
À medida que a XPONENTIAL Europe 2026 se aproxima, cresce também a atenção pública. Paralelamente, o cenário geopolítico continua a se deteriorar — a guerra na Ucrânia segue em curso, e um novo conflito eclodiu no Oriente Médio. Por um lado, torna-se cada vez mais evidente que não podemos ignorar a realidade da guerra e que segurança e defesa são temas que foram negligenciados por muito tempo na Europa e precisam voltar ao centro das discussões. Por outro, somos confrontados com os horrores desses conflitos. Isso torna ainda mais urgentes as perguntas: como devemos responder como sociedade? E como devemos responder, enquanto Messe Düsseldorf?
Desde nossa decisão, analisamos essas questões de forma aprofundada. Para nós, alguns pontos são incontestáveis: a indústria de defesa vive uma transformação tecnológica profunda — impulsionada por sistemas autônomos e não tripulados, robótica, inteligência artificial e cibersegurança — e precisa de plataformas para troca de conhecimento. Além disso, tecnologias autônomas são, cada vez mais, de uso dual, ou seja, aplicáveis tanto ao setor civil quanto ao de defesa. Separar essas dimensões pode ser possível, mas não é produtivo.
Assumir responsabilidade e definir o contexto
Desde o início, sabíamos que não poderíamos nos limitar ao papel de simples conectores ou provedores de plataforma. Isso não estaria à altura de nossos próprios padrões — e se aproximaria da lógica de redes sociais que evitam responsabilidade sobre o conteúdo.
Diferentemente dessas plataformas, moldamos ativamente o conteúdo de nossos eventos. Definimos o contexto. Por isso, a integração da defesa à XPONENTIAL Europe é uma decisão consciente, alinhada ao perfil da feira e acompanhada de responsabilidade — começando pelo reconhecimento da relevância do tema.
Igualmente importante é a forma como isso é conduzido: um conselho consultivo interdisciplinar, formado por representantes da academia, da indústria, de associações e instituições, apoia a curadoria e garante a qualidade do conteúdo. A programação inclui conferências abrangentes, com palestras sobre arquitetura de segurança europeia, soberania, tecnologias de uso dual e cooperação internacional.
Há um ano, poderíamos ter mantido a XPONENTIAL Europe inalterada. Mas isso significaria ignorar a realidade das transformações tecnológicas e geopolíticas. Expositores e visitantes certamente criticariam uma limitação artificial em uma feira de tecnologia. Além disso, prejudicaria Düsseldorf como polo de negócios. Com a expansão da feira, reforçamos o posicionamento da cidade como um espaço responsável e transparente para diálogo em um momento de mudanças históricas.
O retorno da indústria e da política confirma esse caminho: com 360 expositores, o número praticamente dobrou em relação ao ano anterior. A participação política também é de alto nível, incluindo o patrocínio do ministro federal dos Transportes, Patrick Schnieder, a parceria estratégica com as Forças Armadas Alemãs e a presença de lideranças como Sergiy Boyev, vice-ministro da Defesa da Ucrânia; Mona Neubaur, ministra da Economia da Renânia do Norte-Vestfália; Nathanael Liminski, ministro de Assuntos Federais, Europeus e Internacionais; o embaixador britânico Andrew Mitchell; e Christoph Heusgen, ex-presidente da Conferência de Segurança de Munique.
Há um ano, escrevi “Por que precisamos falar de defesa de forma diferente”. Hoje, reformularia para “Por que precisamos falar sobre defesa”. A razão é clara: vejo a XPONENTIAL Europe não apenas como uma plataforma de negócios e troca profissional, mas como um convite a um diálogo mais amplo da sociedade sobre o papel da defesa. Porque isso é mais produtivo do que qualquer forma de polarização.
Fonte: Messe Düsseldorf