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Acordo Mercosul-UE pode ampliar exportações brasileiras em até R$ 36,15 bilhões, aponta ApexBrasil
Estudo mapeou 543 oportunidades em 25 países europeus e aponta setores industriais como os primeiros a sentir os efeitos da redução tarifária
Depois de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia saiu do papel — e os números do que ele pode representar para o Brasil começam a tomar forma. Segundo estimativa da ApexBrasil, o pacto pode gerar um aumento de cerca de US$ 7 bilhões (aproximadamente R$ 36,15 bilhões na cotação atual) nas exportações brasileiras. Neste cenário, a agência publicou o Estudo de Oportunidades Mercosul–União Europeia, um levantamento que mapeou chances concretas de negócio em 25 países europeus.
Entre 2003 e 2023, a participação da União Europeia nas exportações brasileiras caiu de 23% para 13,6%, reflexo do avanço do comércio com o Leste Asiático. O acordo, nesse sentido, não é apenas uma abertura comercial: é uma tentativa de reconectar o Brasil a um mercado que foi perdendo espaço na pauta exportadora ao longo de duas décadas.
As oportunidades estão distribuídas em quatro regiões do continente: Europa Ocidental concentra 266 delas, com US$ 27,6 bilhões (R$ 142,53 bilhões) em importações anuais; Europa Meridional, 123 oportunidades e US$ 7,8 bilhões (R$ 40,28 bilhões); Europa Oriental, 101 e US$ 6,4 bilhões (R$ 33,05 bilhões); Europa Setentrional, 53 e US$ 1,9 bilhão (R$ 9,81 bilhões).
No total, o potencial identificado chega a US$ 43,9 bilhões (R$ 226,70 bilhões) em importações anuais da UE. O problema é que o Brasil aproveita uma fração disso. Atualmente, o país exporta cerca de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,68 bilhões) desses produtos para o bloco. A distância entre o que se vende e o que se poderia vender é, ela própria, o argumento central do acordo.
Entre os principais beneficiados com redução imediata de tarifa estão máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores de energia elétrica, autopeças e aeronaves. Também há oportunidades para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e itens da indústria química. A redução das tarifas para carne de aves, carne bovina e etanol deve ser feita de forma progressiva, com prazo de até 10 anos, respeitando cotas e mecanismos de salvaguarda criados para proteger produtores rurais europeus.
Há um ponto que vai além das tarifas. A pauta exportadora brasileira ainda está muito concentrada em commodities, como petróleo, café e soja. O acordo é visto como uma oportunidade para diversificar e agregar valor aos produtos que o Brasil vende lá fora.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirmou que o acordo vai na contramão do que o mundo tem feito: “A própria Organização Mundial do Comércio perdeu importância, e estamos falando aqui do maior acordo econômico do mundo.” O mercado conjunto formado pelos dois blocos — cerca de 718 milhões de habitantes e um PIB de aproximadamente US$ 22 trilhões (R$ 113,61 trilhões) — reforça o peso geopolítico da iniciativa, não apenas o comercial.
O texto do acordo ainda precisa passar por ratificação em cada país. No Brasil, o processo inclui revisão jurídica e análise do Congresso. Na União Europeia, poderá seguir diretamente ao Parlamento Europeu caso seja submetido apenas a sua parte comercial.
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